Historial
Em Portugal a actividade de mergulho terá tido início, como em muitos outros países, em acções militares, havendo referências históricas de mergulhadores militares, no ano de 1580, “nadadores portugueses, nadando debaixo de água, atacam navios espanhóis fundeados no Rio Tejo, procurando danificar-lhes o casco” (www.marinha.pt).
No ano de 1899 surge o primeiro diploma legal que faz referência às actividades dos mergulhadores da Armada Portuguesa. Um ano depois, em 1900, é fundada a Escola de Mergulhadores da Armada. A partir dessa data a evolução dos mergulhadores da Armada foi, naturalmente, influenciada pelas grandes mudanças que se assistiram a nível mundial, nomeadamente, no que se refere a novos equipamentos e conhecimentos sobre o mergulho.
Enquanto assistíamos à evolução da capacidade operacional dos mergulhadores da Armada, a partir de 1950, Portugal vê aumentar o número de barragens, albufeiras e outros recursos hídricos, fundamentalmente, no interior do país, fruto das estratégias de política agrícola nacional da altura, que aliás se prolongaram por várias décadas.
Este aumento de espaços hídricos, aliado ao facto das pessoas passarem a ter mais tempo livre, conjugado ainda com comportamentos humanos irreflectidos, provocou um acréscimo no números de acidentes em meio aquático, muitos dos quais com perdas de vidas humanas.
A existência praticamente exclusiva de mergulhadores na Armada Portuguesa, levou muitas vezes à chamada dos mergulhadores daquela força militar, para acções fora do âmbito militar, nomeadamente, na recuperação de corpos de vítimas de acidentes na água.
Não é possível saber quando foi efectuado em Portugal o primeiro mergulho com o objectivo de resgatar um corpo humano da água, contudo, sabemos que até à década de sessenta essa acção foi desenvolvida quase em exclusivo por mergulhadores da Armada Portuguesa.
A partir dos anos sessenta, inúmeros mergulhadores da Armada ingressaram como bombeiros voluntários nos Corpos de Bombeiros e impulsionaram a criação de algumas unidades de salvamento e buscas subaquáticas.
Foi também desta forma que, no início da década de oitenta surgiu a primeira unidade de bombeiros mergulhadores entre os Corpos de Bombeiros do Distrito de Portalegre, nomeadamente nos Bombeiros Voluntários de Ponte de Sôr. Essa unidade de mergulhadores permitiu dar resposta a inúmeras situações ocorridas no Distrito de Portalegre e limítrofes, tendo cessado a sua actividade ainda no final da década de oitenta.
Comum à grande maioria dos Distritos, assistia-se a contínuo aumento do número de ocorrências envolvendo necessidade de operar com recurso a escafandro. Os Corpos de Bombeiros, enquanto entidades locais com responsabilidade na protecção, segurança e socorro das populações, sentiram necessidade de dar resposta imediata nesta área de intervenção e procuraram junto de escolas de mergulho civis formar alguns dos seus bombeiros.
Atenda a esta necessidade, em 1995 a Escola Nacional de Bombeiros alarga o seu leque de áreas de formação e lecciona o 1º Curso de Bombeiro Mergulhador. Entre os bombeiros do Distrito de Portalegre candidataram-se dois elementos do Corpo de Bombeiros Voluntários de Avis.
Não obstante apenas um dos bombeiros ter concluído com sucesso a formação de bombeiro mergulhador, foi dado o primeiro passo numa área que procurava um novo rumo.
Em 1998, foram formados pela Escola Nacional de Bombeiros mais quatro bombeiros do Distrito de Portalegre, nomeadamente dos Corpos de Bombeiros de Castelo de Vide, Portalegre e Ponte de Sôr. Este aumento de recursos humanos melhorou significativamente a capacidade de resposta do Distrito nesta área de intervenção tão específica.
Até finais dos anos noventa todos os Distritos do território continental e ilhas passaram a ter Corpos de Bombeiros com bombeiros mergulhadores.
No ano de 2001, os Corpos de Bombeiros de Alter do Chão, Nisa, Avis, Sousel e Campo Maior, formam mais seis bombeiros no distrito através de uma escola de mergulho civil.
Nesse mesmo ano, na sequência da queda da ponte em Entre-os-Rios, que vitimou 59 pessoas, 36 das quais não foram recuperados os seus corpos, veio acentuar a necessidade de melhorar a qualidade e uniformizar a formação dos bombeiros mergulhadores.
Na mesma linha de pensamento, em 2003, o então Inspector Distrital de Bombeiros de Portalegre, procurou avançar para uma organização conjunta de todos os bombeiros mergulhadores no Distrito de Portalegre, contudo, esta tentativa de organização conjuntural não teve efeitos práticos.
No ano a seguir, a Escola Nacional de Bombeiros assina um protocolo de formação, para a área de mergulho, com a Marinha Portuguesa, sendo que em 2004, são leccionados na Escola de Mergulhadores da Armada os primeiros cursos de Bombeiro Mergulhador e de Bombeiro Mergulhador Supervisor. Virou-se assim mais uma página da História do mergulho de resgate em Portugal. Os bombeiros portugueses, procurando responder com maior eficiência às missões que lhe estão confiadas por lei, procuraram reunir a experiência de décadas com a formação técnica mais exigente.
No 2º curso de Bombeiro Mergulhador (nível 2) na Escola de Mergulhadores da Armada, em 2004, o Distrito de Portalegre envia dois candidatos e ambos terminam o curso com sucesso. Imediatamente a seguir, nesse mesmo ano, um desses elementos integra o 2º curso Bombeiro Mergulhador Supervisor e conclui com êxito essa formação.
Estavam então reunidas as condições técnicas para a reorganização distrital desta actividade.
Assim, no início do ano de 2005, o Comandante Distrital de Bombeiros do Distrito de Portalegre, Luís Belo Costa, cria através de Regulamento Interno, o Núcleo de Mergulho dos Bombeiros do Distrito de Portalegre (NMERG12), tendo como responsável o Supervisor de Mergulho, Simão Luís Pechirra Velez.
Para consultar o Regulamento Interno clique no link em baixo.